Limpe com pano úmido e sabão neutro. Não use micro-ondas. PETG impresso em FDM não é utensílio de alimento — as linhas de camada guardam bactéria.
Como cuidar de uma peça PETG em casa (sem mito de lava-louças)
PETG aguenta uso de prateleira, vaso com terra e mão no dia a dia. Não aguenta milagre. Na TEK 3D a gente imprime o catálogo nesse polímero justamente porque ele não derrete no calor de interior brasileiro como o PLA que não vendemos. Isso não transforma a peça em louça de restaurante, nem em pote de micro-ondas, nem em utensílio de alimento. Linha de camada é fresta. Fresta abriga o que você não quer no prato.
Dois SKUs ilustram o recado sem teatro: o vaso nervurado convive com terra e água de rega; a escultura leitor só convive com poeira de estante. Os dois são o mesmo material. Os dois pedem cuidado distinto. Nenhum dos dois vai à máquina de lavar louça “porque PETG é forte”.
Lava-louças não é ciclo de cura
A máquina de lavar louça mistura jato quente, detergente alcalino e secagem. PETG de injeção industrial, liso, às vezes passa. PETG de FDM, com sulco entre camadas, encharca o sulco de detergente, amolece se o ciclo for quente demais, e sai com mancha fosca que não era o acabamento original. Já recebemos foto de peça “lavada no programa pesado” com nervura embranquecida. Não cobrimos isso como defeito de impressão. É abuso térmico e químico.
Água quente da torneira, pano, sabão neutro: sim, para o vaso por fora. Imersão prolongada em água fervente: não. O polímero amolece bem abaixo da temperatura de um ciclo agressivo. A geometria do vaso nervurado, larga e baixa, ainda distorce se você achar que “é só um pouquinho no vapor”.
Detergente: o neutro ganha do desengordurante de forno
Desengordurante de cozinha industrial ataca superfície. PETG fosco vira mancha brilhante irregular. Sabão de coco ou detergente de louça diluído, pano macio, enxágue, secagem ao ar. Escova dura na ripa do vaso só se a terra incrustou — e mesmo assim, cerdas médias, não arame.
Micro-ondas: recusamos o conselho e a peça
Não coloque peça desta loja no micro-ondas. Não é recusa estética. Metal não entra no caso (não há metal), mas o polímero aquece de forma desigual, a geometria fina da escultura leitor empenha, e o vaso vira oval. Além disso, qualquer resíduo na fresta esquenta de um jeito que você não controla. Não testamos “trinta segundos para ver”. Não vamos testar. O manual tácito da casa: micro-ondas é para vasilha que o fabricante disse que aguenta. Nós não dissemos.
Forno de cozinha, air fryer e painel de fogão quente: a mesma recusa. PETG de catálogo é objeto de mesa e estante, não de cozinha ativa. Se a escultura ficou ao lado do fogão e amarelou ou empenou, a causa é calor, não “PETG ruim”.
FDM não é utensílio de alimento — a linha de camada abriga bactéria
Repetimos sem rodeio: a peça impressa em FDM nesta loja não é copo, não é tábua, não é forma de bolo, não é comedouro. Mesmo PETG “food grade” de ficha técnica, quando sai em camadas, cria milhares de sulcos. Sulco não lava como vidro. Bactéria, cheiro de gordura, pigmento de molho: ficam. Não existe selo da Anvisa nesta operação para contato com alimento. Não reivindicamos. Quem vender “potinho 3D para lunch” sem falar nisso está omitindo o óbvio da geometria.
Vaso: terra e planta, sim. Água de rega que escorre, sim. Beber nessa água, não. A planta não transforma o polímero em cerâmica sanitária. Se usar prato interno (liner) de plástico liso ou vidro, melhor: o PETG fica de capa decorativa e a raiz não mora na fresta.
- Não armazenar comida, ração úmida ou líquido para beber na peça.
- Não usar como forma de chocolate ou gelo para consumo.
- Vaso: liner liso por dentro se a planta for o uso principal.
Pano, sombra e o sol da janela gaúcha
Poeira: pano seco ou levemente úmido. A escultura leitor, branca fosca, mostra dedo. É o preço do minimalismo. Álcool isopropílico no pano, pouco, tira sebo de mão. Encharcar a peça em álcool não é necessário e pode alterar o fosco se você esfregar.
Sol direto de janeiro no peitoril: PETG aguenta mais que o PLA que não está à venda, mas pigmento ainda desbota. O verde-oliva do vaso, se ficar anos na janela norte, perde saturação. Sombra de estante é o lugar em que a cor que fotografamos continua parecida. Não prometemos “cor eterna ao sol”. Prometemos honestidade: UV come cor, mesmo neste polímero.
Queda: o vaso nervurado, largo, raramente tomba sozinho. A escultura leitor, baixa e leve, tomba se o gato passar. PETG racha menos que peça rígida de resina, mas um canto fino lasca. Cola cianoacrilato de uso geral junta lasca estrutural; a marca fica. Avisamos. Não vendemos “irreparável” nem “invisível”.
Água no vaso: o que fazemos e o que o cliente faz
A parede do vaso não é cerâmica vitrificada. Em tiragem de catálogo calibramos para não vazar no fundo em uso decorativo com liner ou com terra pouco encharcada. Se você virar o vaso num aquário, a conta muda. Dreno: se furar o fundo em casa, é alteração sua. Furamos sob encomenda só se o orçamento pedir, e mesmo assim o furo é de planta, não de louça sanitária.
O que limpar em cada peça
Vaso nervurado: tirar terra da ripa com pincel macio, lavar o exterior com sabão neutro, secar. Interior, se houver liner, lave o liner. Se a terra foi direto no PETG, aceite que o sulco guarda residual. Escultura leitor: só poeira e dedo. Não “encerar”. Cera de móvel deixa filme que junta mais poeira no fosco.
Cheiro: peça nova pode ter cheiro leve de polímero nas primeiras horas fora da caixa. Ventila. Não é solvente industrial. Se o cheiro persistir semanas, escreva para a loja — isso não é o normal da nossa tiragem.
- Vaso: pincel na ripa, sabão no exterior, liner se possível.
- Escultura: pano, álcool pontual, longe do fogão.
- Os dois: sem lava-louças, sem micro-ondas, sem alimento.
O que a garantia da loja não cobre (e por quê)
Não cobrimos peça deformada em máquina de lavar, micro-ondas, painel de carro ao sol de verão, ou uso como copo. Cobrimos defeito de impressão que já veio na caixa: delaminação, cratera de umidade de produção, camada faltando. A fronteira é honesta porque o polímero é honesto: resistente no uso previsto, não eterno em abuso.
Se a dúvida for “posso deixar o vaso na varanda coberta?”: sim, com a ressalva de UV e de frio extremo. Se for “posso levar a escultura para a pia?”: pode pingar água e secar. Não pode morar no escorredor.
Cuidar da peça, nesta casa, é o oposto de ritual de guru: pano, sabão frouxo, sombra, e a humildade de não transformar FDM em porcelana. O vaso nervurado continua bonito na ripa se a terra não virar lama permanente na fresta; o leitor continua limpo se a mão suja de lanche não for o espanador. Duas peças, o mesmo PETG, zero milagre de eletrodoméstico.